Ilustração criativa – por Wallace Vianna

Olhando para estas imagens referenciadas pelo meu grande amigo e designer Wallace Vianna (Wally), vislumbro a ilustração criativa em prol de uma publicidade mais orgânica, consciente e menos surreal e apelativa. Sem contar o baixo custo de produção e edição em tempos de crise. Como você, Wally, disse querer exercita-se, eu o desafio a elaborarmos uma campanha de impacto social sobre RELACIONAMENTO AMOROSO depois dos 50, usando a ilustração criativa. Topa?

Wallace Vianna é designer e ilustrador. Essa notícia descobrí nas redes sociais (FaceBook), e tenho que postar aqui no blog, um exercício de criação em artes visuais. Um meio-caminho entre o ready-made do dadaísmo e trompe d’oleil que artistas como Vik Muniz se utilizam. O ilustrador Christoph Niemann completa suas artes usando objetos do cotidiano, se […]

via Ilustração criativa — Wally Vianna Blog Pro

Corporativa MENTE – O cérebro e as tecnologias da inteligência no futuro das corporações

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Mais do que gerenciar pessoas, as corporações que desejarem passar ilesas pelo extenso tapete de brasas vão ter que aprender a gerenciar mudanças – e IMSO (in my simple opinion) a maior delas está no entendimento de que empresas bem-sucedidas são como conjuntos de “cérebros disseminados” .

Gerenciar cérebros é, portanto, o novo desafio – o que indica que a formação do cérebro começa a ser acrescentada ao bem-estar das empresas e iniciativas de liderança; com o brain fitness assumindo um papel muito importante na construção de novos mercados.

Economia baseada no comportamento

Quando falo em “novos mercados”,  me refiro à uma novíssima economia – tão nova que já não está baseada na informação, mas na competência em utilizá-la. Esta “competência” é cem por cento comportamental – daí a economia baseada no comportamento vem reengenhar tudo o que aprendemos sobre gestão!

Tecnicamente, nosso comportamento são respostas a diferentes estímulos gerados pelo meio. E se essas “respostas” têm origem no cérebro, então é nele que devemos nos concentrar! Se existe um esforço para humanizar corporações, significa que existe um movimento para entender não o que nossa mente é capaz de fazer por nós, mas o que nós podemos fazer por nossa mente para que ela traga “respostas” cada vez mais inteligentes (especialmente do ponto de vista emocional).

O cérebro no comando

Com a missão de entender como pensamos, agimos, percebemos e sentimos, pesquisas científicas contribuem com argumentos que vão ajudar a promover mudanças no modo de operação das organizações.

Ao que tudo indica, um casamento que tem tudo para durar é o da neurociência com o RH. Desta aliança nascerão negócios baseados no cérebro. Ou seja, negócios que vão potencializar as habilidades cerebrais, aumentando o nível de atenção, a concentração e, por conseguinte, a retenção do aprendizado.

No início da década de 90, o presidente americano George W. Bush anunciou que aquela seria “a década do cérebro” e estava mesmo certo: na velha economia a produtividade estava relacionada à aptidão física das pessoas, agora a produtividade está diretamente relacionada à aptidão mental – o que faz com que empresas se dediquem à construção de ferramentas para o treinamento cognitivo do cérebro.

As tecnologias da inteligência

Franck Tarpin-Bernard, PhD, especialista em soluções para aperfeiçoamento do cérebro, transferiu a tecnologia do HAPPYneuron e ajudou a desenhar (estrategicamente) os programas para o mercado brasileiro.

“Os exercícios desaceleram o processo de perda da reserva cognitiva – que é a capacidade do cérebro de armazenar por períodos prolongados as habilidades que foram adquiridas ao longo da vida”, diz.

Pesquisa realizada no começo de 2010, mostrou que pessoas que dedicaram 30 minutos diários ao uso de um programa de treinamento cerebral tiveram um aumento de 16% em suas capacidades cognitivas em apenas três meses. Pesquisas estas vão difundir o conceito de brain fitness no mercado.

Liderança baseada na serotonina

Cientistas mostraram através de imagens de ressonância magnética, que pessoas que foram expostas a situações e as julgaram justas, tiveram seus centros de compensação do cérebro ativados (que é como acontece quando se encontram com entes queridos ou apreciam uma boa comida).

Isso abre um importante precedente para que os profissionais de RH possam implementar políticas para o cultivo da justiça e de recompensas que inspirem pessoas a terem mais confiança.

Estudiosos e futurólogos acreditam que empresas de culturas saudáveis terão mais poder, só que um tipo de poder diferente: o poder de aumentar a retenção e a performance. Isto porque os gestores tenderão a demonstrar mais interesse em seus colaboradores, apoiá-los e compensá-los verdadeiramente.

Esta atitude gerencial será suficiente para despejar no cérebro de seu pessoal uma alta dose de serotonina – substância que provoca em nós aquele desejo de nos aproximar das pessoas e atendê-las em suas necessidades (… e que também nos abre a mente para novas ideias).

Taí um belo modelo de liderança significativa! Na era wellness (Era do Bem-Estar) não há sentido em alguém se “orgulhar” de viver sob altas doses de estresse e não ter tempo para nada. Um gestor sob efeito do estresse tende a inferiorizar seus colaboradores e isso vai inundar seus cérebros com cortisol, fazendo com que se desliguem, se fechem a novas ideias e parem de nutrir o desejo de ajudar.

Sem contar que o estresse prolongado reduz a produção de neurônios, compromete significativamente a memória, os sentimentos, diminui a imunidade e, de quebra, leva embora pelo menos dez anos de vida.

Trabalhando com certezas

Neurociência é o estudo do sistema nervoso: sua estrutura, seu desenvolvimento, funcionamento, evolução, relação com o comportamento e a mente e, também, suas alterações. O Departamento de Recursos Humanos, por sua vez, se encarrega de selecionar profissionais com o perfil que a empresa necessita, portanto avalia, desenvolve e mantém os profissionais nas empresas, por meio de políticas de carreira, incentivo e remuneração.

Unir essas duas áreas é uma reconfiguração já proposta pela gestão de mudanças, uma vez que 85% das decisões que tomamos ao longo do dia acontecem na mente não consciente. Além disto, nossa capacidade de raciocinar com clareza, solucionar problemas com diferentes graus de complexidade e tomar decisões – dentro do meio corporativo – dependem (e muito!) de termos nossas expectativas atendidas.

Isto porque quando as pessoas têm expectativas que são alcançadas, aumenta substancialmente o nível de dopamina em seu cérebro. Ao contrário, uma expectativa frustrada, reduz a dopamina, aumenta a adrenalina, ativa a amígdala cerebral e toda essa mudança nos níveis dos neurotransmissores pode levá-las à demissão, porque seus humores e a disposição geral ficam prejudicados; e seu foco vai estar nos problemas e não nas soluções.

E foram os neurocientistas que descobriram que nosso cérebro é incapaz de construir conexões quando alguém nos diz o que fazer, ele apenas muda os padrões. Quando um indivíduo é levado a fazer algo, como por exemplo, participar de uma reunião 3% do seu cérebro vai estar sendo utilizado; ao passo que quando são criadas condições para que ela possa mostrar o que sabe, ou seja, transferir aquilo o que aprendeu para outras pessoas, vai estar alocando 90% desse órgão. Significa que na-na-ni-na-não é verdade que os seres humanos só utilizamos 10% da capacidade do cérebro, tá?!

Levar descobertas neurocientíficas como essa para o RH, é dar a ele condições de obter mais engajamento das equipes, transformar suas dinâmicas, melhorar o clima, aumentar o bem-estar, por conseguinte, a saúde de toda uma corporação.

As tecnologias da inteligência

A neurocientista de plantão e chefe do Departamento de Neuroanatomia Comparada da UFRJ, Suzana Herculano-Houzel, é da opinião de que faz parte da busca pelo bem-estar, ter uma atividade mental rica ao longo da vida.

Para ela o “cérebro ideal” é aquele com o qual a gente se sente bem. Se nos sentimos bem com nossa capacidade de atenção e de memória ou se achamos que nos sentiríamos melhor se pudéssemos aumentar nossa capacidade de raciocínio, então podemos buscar esse aperfeiçoamento.

Suzana acredita que para muitas pessoas que ainda não se interessaram em exercitar o cérebro por diferentes razões (ou porque nem todo mundo consegue identificar sozinho que pode ampliar sua capacidade, ou porque acha que não tem tempo de sobra). “O acesso fácil à internet, o aspecto lúdico e a interface destes jogos são extremamente motivadores”, diz.

Há muitas soluções sendo desenvolvidas com a nobre missão de aumentar a nossa inteligência prática – a inteligência relacionada com a formação de hábitos, à capacidade de aprender com a experiência e de desenvolver as habilidades práticas – que se diferencia da inteligência acadêmica  e explica como alguns indivíduos com um QI alto não conseguem alcançar o sucesso profissional.

Certa ocasião ouvi uma frase surpreendente para os dias de hoje: “você não precisa pensar, só precisa obedecer”. Essa era a cultura de um empresário que gerava uma alta rotatividade em sua equipe – era, obviamente o que lhe impedia de reter talentos em sua corporação. É a cultura do fracasso. Imagine como ele poderia lidar com a inteligência coletiva?

Para o filósofo Pierre Lévy

a base e o objetivo da inteligência coletiva são o reconhecimento e o enriquecimento mútuos das pessoas, e não o culto de comunidades fetichizadas ou hipostasiadas.

De fato, cada um de nós já é livre para criar a sua própria rede neural, que é o que fazemos quando nos conectamos a outros neurônios ativos tendo por trás Facebook, Twitter, LinkedIN, entre outras tecnologias da inteligência.

Como a simulação digital à qual cientistas de todas as disciplinas recorrem: um modelo digital não é lido ou interpretado como um texto clássico, mas explorado de um modo interativo.

A informática, por sua vez, existe para nos dar mais velocidade no processamento de informações e com isso passemos a executar cada vez mais tarefas em menos tempo e com mais qualidade, além de poder contar um saldo positivo de tempo para (re)investir em nossa qualidade de vida! Mas o que temos feito? Quanto mais tempo ganhamos, mais tempo gastamos(!) e muitas vezes por pura falha de autogestão.

Imaginação auxiliada por computador e jogos corporativos de estratégia ajudam a prever situações e tomar decisões antecipadas, gerar planos de contingenciamento. A simulação é, ainda, uma ferramenta muito útil para estimular o raciocínio lógico, corresponder à nossa imaginação, à bricolage mental, à acertividade.

Os dispositivos de memória dos sistemas informáticos, por sua vez, estão vestindo nosso corpo (wearable computers). Já fazem parte de nós a pendrive, o smartphone e o netbook… Para saber mais sobre isto leia o artigo Impacto da tecnologia conectada na sociedade e no comportamento dos indivíduos, blogado no Fronética e publicado pelo portal iMasters. 

Já é possível separar os conhecimentos das pessoas e coletividades, estocar, recompor, modular, multiplicar, difundir, mobilizar através de hipertextos, composições multimídias, redes sociais, mensagens eletrônicas, DVDs.

“Hipertexto subverte a hierarquia”, diz o Manifesto Clue Train e é um fato. É o advento que permitiu driblar a segurança, o ascensorista, a recepcionista, a secretária e aquela fila de assessores e colocar nossa ideia lá: diretinho na mesa do chefe!

Quando utilizamos o hipertexto como um “passaporte” para um novo conhecimento a partir de um único link, estamos aumentando a inteligência de nossas corporações. Foi esse princípio que criou o Wiki, onde a inteligência coletiva reina soberana.

Estudantes e professores, gestores e colaboradores já nos relacionamos de um jeito hipertextual, ou seja, estamos ligados por conexões, nós. Estes “nós”, podem ser palavras, páginas ou gráficos de imagens. Estamos o tempo todo promovendo sinapses. Veja como somos mais “neurais” do que imaginamos!

Sensomarcas

Pierre Lévy também nos diz que

por mais que sejam consubstanciais à inteligência dos homens, as tecnologias intelectuais não substituem o pensamento vivo.

Nós, seres humanos, não podemos ser “programados” para fazer nada que não venha ao encontro da nossa vontade.

No entanto, somos facilmente levados a realizar ações que já estejam gravadas no nosso inconsciente. É por isso que a mesma ciência que vem estudando, por exemplo, porque batemos na madeira quando queremos afugentar a má sorte, também nos ensina que o poder dos sentidos é muito mais significativo em um processo decisório do que podemos imaginar.

Assim, os negócios baseados no cérebro compreenderão insights cognitivos que transformarão o modo como vamos trabalhar. A começar pela construção de sensomarcas ou “marcas estabelecidas sobre os sentidos”, que se olharmos para o futuro das comunicações, além da visão, audição, olfato, paladar e tato, acrescentaremos o sexto-sentido ou sensibilidade extra-sensorial (relacionada à inteligência espiritual) e o sétimo-sentido ou sinestesia (que é a inte(g)ração com todos estes sentidos). E é por isso (também) que nosso cérebro está sendo mapeado: porque ainda não somos capazes de exprimir sensações muito interiores que nele se originam.

O Neuromarketing é um novo campo de estudos do marketing que monitora as respostas de nosso cérebro a diferentes estímulos e com isso pode antecipar o comportamento de consumidores, elaborando estratégias de venda através das quais pretende comunicar ao nosso cérebro antes de nos comunicar.

Esta já é a realidade das maiores empresas globais, como Google, Mercedes-Benz, MTV e Microsoft. O marketing do futuro pretende limpar o mundo do excesso visual da propaganda. A partir dele, as logomarcas não serão simples referências iconográficas ao tipo de negócio das empresas. Elas já têm um cheiro próprio, um som peculiar, podem ser tocadas, experimentadas e logo, logo serão sen-ti-das! Dizem que em certos casos, algumas logomarcas utilizadas hoje, ajudam mais a desconstruir a imagem corporativa, do que a construí-la. Guarde isso!

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O cérebro e eu

Penso que um cérebro pode morrer. E porque ele morre, nosso corpo morre. Já a mente é capaz de se manter viva e permanecer influenciando pessoas por uma eternidade. A mente é para mim, meu único legado e minha maior riqueza. Ela guarda meus segredos, minhas vontades, meus anseios e as tantas memórias que eu gosto de compartilhar. Posso assegurar que minha mente é um corpo à parte embuído de espírito. E quanto mais eu penso que me conheço, mais desejo me (auto)explorar; e vejo que menos sei sobre mim.

Meu cérebro é colaborativo, um amigão, altruísta, inventivo e quer estar ligadinho ao seu e aos de pelo menos outras 149 pessoas – que é o que ele pode administrar.

Quando elaborei essa matéria, pensei em dizer também: “coma nozes, peixe, faça exercícios físicos, aprenda algo novo, converse com seu amor sobre seus sonhos mais íntimos e o beije na boca (imediatamente) antes de dormir!” – coisas tão simples que podem manter seu cérebro bem vivinho por mais zil anos.

Isso é quase um mantra, não? Pode crer que sim. Porque estudando sobre o cérebro eu fiquei feliz em saber que quando aprendo algo novo, mais alguns milhares de neurônios nascem em mim! E todos eles precisam de você, assim como os seus precisam de outros e outros…  A coisa mais maravilhosa que eu pude descobrir a respeito deste ilustre desconhecido, é que ele é dono de uma incrível vocação social!

Em poucos anos, acredite, ou as empresas aprendem a gerenciar cérebros ou não serão mais empresas!

“Corporativa-MENTE” falando, claro.

UX Education: o que cada um de nós poderia fazer para tornar o aprendizado mais motivador?

 

Geekie, 12 de março às 19:46


O que devemos fazer quando intencionamos desenhar o futuro? Chamar designers, evidentemente!
E quando “o futuro” em questão, é o da escola? Chamar designers, evidentemente!

Assim, nos reunimos no dia 12 de março de 2015, o UX Book Club São Paulo em torno do tema UX Education, sob a “regência” de Renato Júdice de Andrade, executivo há 18 anos na área educacional e atual diretor da Geekie (que sediou o encontro).

Mais para colóquio do que debate, a reunião foi pautado por um clamor travestido da questão central: “o que cada um de nós poderia fazer para tornar o aprendizado mais motivador?”

Ali me questionava, digo, a mim mesma, sobre os motivos pelos quais a Educação caiu na mesmice…

Não, o propósito do encontro estava muito distante de buscar culpados, até porque os somos (todos!): educadores, estudantes, família. Não! A ideia não era olhar para trás, porque o currículo já faz isto; planos e práticas pedagógicas adotados, a sociedade de conteúdos, também.

“Você precisa do quê?”

Conteúdo… Conteúdo é um bom começo! Por que tem que ser pré-definido? Decerto que o conteúdo é uma herança da Era Industrial – aquilo que era importante para a boa formação de um técnico.

Ora, mas estamos na Era da Informação e devemos pensar no que nos interessa trabalhar hoje!

– “É daí que vai vir a motivação”, disse Júdice, certo de que esta tem a ver com a forma com a qual a gente integra o estudante que – num primeiro instante – não enxerga o valor da Escola: “ele pode ser motivado pela temática”, sugere o executivo e vai além: “se as aulas pudessem ser mais participativas, se todos se olhassem (como nós nos olhávamos naquele momento, numa formação circular); se pudéssemos mudar o protagonista para ganhar a concorrência com WhatsApp, Facebook, Games

Hamilton Werneck, autor de Se a boa escola é a que reprova, o bom hospital é o que mata! (2002), reclamava o fato de a maioria dos assuntos pesquisados não terem tido sequer a oportunidade de serem usados na vida “[…] quanto tempo é perdido enquanto poderia estar se estudando o que se gosta”. Para Werneck, os pilares da escola são: currículo, programa e nota; em detrimento ao saber e ao deleite humano.

Einsten já dizia que “conhecimento é experiência, o ‘resto’ é informação”. Assim como ele, este autor sugere que nossa vivência profissional envolve muito mais nossa experiência de vida do que nosso currículo escolar.

Diz o ditado:  Non scholae sed vitae discimus (não aprendemos para a escola, mas para a vida). Então como este aprendizado se dá?

Personalização

Neste caso ela é um hit! O aprendizado personalizado desponta nas chamadas “escolas democráticas” de Celestin Freinet –  ambientes de ensino que colocam os jovens estudantes como protagonistas do processo educacional, em cada aspecto das operações da escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Ambientes estes nos quais a pedagogia se preocupa com a formação de um ser social que atua no presente.

Helena Singer, citada no artigo “Invenções Democráticas” publicado pelo Núcleo de Psicopatologia, Políticas Públicas de Saúde Mental e Ações Comunicativas em Saúde Pública (ufa!) – Nupsi, aponta três princípios da Educação Democrática:

O primeiro é a autogestão. As pessoas que participam de uma experiência de Educação Democrática são responsáveis por ela. O segundo é o prazer do conhecimento. Acredita-se que o conhecimento traz alegria, prazer, e por isso as pessoas se envolvem com ele, não sendo necessárias punições ou disciplinas. E o terceiro é que não há hierarquia no conhecimento. O conhecimento científico, o conhecimento acadêmico, o conhecimento comunitário, o conhecimento tradicional, o conhecimento religioso, todos os conhecimentos são valorizados, respeitados e crescem justamente no seu contato.[1]

Nesta onda Lumiar, Escola da Ponte, Colégio Sidharta,  propõem para crianças e jovens digitais mais autonomia, por conseguinte, mais res-pon-sa-bi-li-da-de para gerenciar seu próprio processo de aprendizado.

A Innovation Unit divulgou recentemente uma lista das “Top Ten” escolas do futuro (bem presentes!). São elas:  High Tech High, Quest to Learn e School of One, nos Estados Unidos; Orestad Gymnasium, na Dinamarca; Matthew Moss HIgh School, no Reino Unido; Kunskapsskolan, na Suécia; Colégio Cardenal de Cracovia, no Chile;  Discovery 1, na Nova Zelândia; Big Picture Learning, em diferentes países e, para a nossa felicidade, o Instituto Lumiar, que coloca o Brasil na lista!

A autonomia que vem com a personalização joga todo o peso (e preço) nesta mesma responsabilidade. Para Júdice, a mesma lógica que vale para o mundo do trabalho, vale para a escola: “se esta aula não te atrai, você não precisa vir” – de um lado, o estudante tem que ter um objetivo; do outro, o professor criatividade o bastante para prender sua atenção.

Em 29 de junho de 2013, o álbum da UnB da Depressão no Facebook trazia uma imagem[2] que chocou a comunidade pedagógica: numa redação escrita a quatro mãos, onde estudantes de Filosofia deveriam problematizar sobre a Liberdade Humana, havia o desabafo “[…] quer me falar sobre liberdade. Serio mesmo isso? Eu aqui PRESO, CONTRA a minha vontade e estudando ‘LIBERDADE’. Quanta ironia!!!”

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Afinal, “o que cada um de nós pode fazer para tornar o aprendizado mais motivador?”

Isabel Zampa responde a questão citando uma antiga professora da Puc-Rio: “nós somos corpos orgânicos, temos curvas, então por que vamos ficar em prédios quadrados?” – Estamos aí de volta á suposta liberdade ironizada pelos “jovens apocalípticos”, contudo, Isabel acredita que a solução depende muito mais de diálogo do que de tecnologia: “não vejo nenhuma formação com ou sem tecnologia que consiga mudar a educação das pessoas”.

Tecnologias, ah, estas tais tecnologias…

Nasser Said é direto e reto: “colocamos um tablet para cada aluno, mas ainda falta um discurso pedagógico”. E questiona se este momento de transição remonta a histórica passagem do jornal impresso para a internet: “será que para esta mudança ocorrer, uma geração inteira precisa morrer?”, dispara.

Até quando a escola vai deixar de desenvolver competências a partir de conhecimentos, habilidades e atitudes em nome do bom e velho (mais “velho” do que bom) currículo?

O reflexo disto foi notado pela professora de graduação em Comunicação e Moda, Cecília Magalhães. Ela observou que as pessoas não estão sendo estimuladas a produzir informação.

Para Júdice, bastaria uma mudança de postura dos pais: “ao invés de perguntar ao filho ´o que você aprendeu hoje?’ (passivo), questionar ‘que pergunta você fez hoje?’ (ativo).” Para ele, uma pequena mudança, mas significativa para mostrar que se sentem orgulhosos de sua participação.

Efeito dominó

O problema é que se os pais não se envolvem na questão da aprendizagem dos filhos, não buscam dialogar ou procurar entender sobre, por exemplo, Aprendizado por Interesse – que chega pra nós como Homeschooling, a escola, por sua vez também não demonstra lá grandes preocupações com estes pais (a pública), tampouco quer contradizer ou causar qualquer desconforto para o seu cliente (a privada).

Para que uma instituição não derrube a outra, então, talvez, quem sabe… não devêssemos impetrar a Lei 8.429/92 de Improbidade Administrativa, responsabilizando os governos municipal, estadual e/ou federal por não alcançar resultados, cumprir promessas de campanha?

Nessa “múltipla escolha”, consideramos que a resposta pode não estar em nenhuma das alternativas acima (família, escola, governo), mas no próprio estudante (costumamos evitar dizer “a-luno”, que literalmente significa “sem luz”).

Foi então que numa alusão ao lema de Kofi Annan que aprendi e que norteia a Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, que é o “Nada Sobre Nós Sem Nós”, sugeri que nosso grupo procurasse desenvolver uma forma ativa de escuta, uma metodologia que os tornasse (de fato) atores desta transformação de escola em “ambiente de aula”, algo escalável, como sugeriu Júdice.

Ainda acredito que quando oferecemos tempo, espaço e oportunidade, as pessoas são capazes de realizar algo até então inimaginável. Precisamos romper os limites da escola e ouvir as histórias de vida destes estudantes, suas inquietações, ajudá-los a identificar objetivos e aí, sim, talvez possamos nos surpreender ao ver que assim como a árvore está dentro da semente, a escola está no interior deles próprios.

[1] Invenções Democráticas, Nupsi, 2014, disponível em http://nupsi.org/invencoes-democraticas

[2] http://tinyurl.com/nbhajt9

Braigo – impressora braile [DIY] criada com peças de lego

Menino manipulando a sua invenção

(Photo: Marcio Jose Sanchez, AP)

Shubham Banerjee, um menino de apenas 13 anos inventou uma ‪#‎impressorabraile‬ com peças de lego, a Braigo. Uma impressora de linha braile custa para uma pessoa cega cerca de 2 mil dólares. Pensando Shubham pediu ao pai um kit de robótica da Lego que custou bem menos (350 dólares) e a engenhoca virou um conceito que recebeu aporte financeiro da Intel Corp. Como tudo pode ficar ainda melhor, seu pai, Neil Banerjee, disponibilizou o plano em código aberto no melhor estilo DIY – Do it Yourself ou “Faça você mesmo!”. Uma tecnologia social que não parou no protótipo!

Veja-o receber o Prêmio Inter Capital Global Summit #icapsummit no Canal de LockerGnome’s Geek Lifestyles

Impacto da tecnologia conectada na sociedade e no comportamento dos indivíduos

Fotografia mostra a visão parcial de um auditório com três homens ao fundo, falando para plateia e atrás deles, o telão com a projeção de slide relacionado ao evento

MeetUP UX & IoT, 24.fev.15, Samsung Ocean

Seis da manhã. No celular, um coro de vozes femininas entoa um animado “Good Morning”. As cortinas se abrem lentamente. Levanto da cama e assim que meus pés tocam o assoalho, o sistema de áudio sintoniza o canal de notícias. Quando cruzo a porta do banheiro, um suave perfume de jasmim se espalha pelo ar e do chuveiro com led desce uma cascata quentinha e lilás. Enquanto tomo um banho estimulante e programado para 10 minutos, a cafeteira já está trabalhando. Depois de colocar meu agasalho com fones de ouvido embutidos e com minha playlist favorita, além do sistema verificador das funções cardiovasculares, calço o par de tênis que vai coletar dados e analisar a minha performance durante a corridinha diária…

Acabo de descrever uma cena real, ainda que para poucos privilegiados, mas que dá uma pista do Impacto da tecnologia conectada na sociedade e no comportamento dos indivíduos (como eu e você que me lê neste momento) – este foi o tema do Meet Up “UX & IoT”, um encontro com criativos para falar da experiência do usuário (User Experience (UX)) com aInternet das Coisas (Internet of Things (IoT)) –  do dia 24 de fevereiro, numa colaboração entre Interaction Design Association- IxDA SP,  User Experience Professionals Association – UXPA SP, Interaction Design Foundation – IDF SP e SamsungOcean Brazil, que contou – mais do que a presença – com as provocações do trio Caio Vassão (arquiteto da informação), Luis Leão (editor da iMasters) e Felipe Ratti (designer), com Robson Santos “Interfaceando”, claro.

A tecnologia conectada

A conversa toda começou com uma incrível viagem ao tempo das coisas enquanto “apenas” coisas, objetos, artefatos, acessórios, até um futuro já presentificado aqui e ali, no qual estas mesmas coisas são dotadas de uma inteligência preditiva, ou seja, da capacidade de fazer escolhas por nós. E o cerne desta questão tem tudo a ver com minha vida fronética[1]: que é justamente o resultado dessas escolhas.

“Não basta fazer dispositivos autossuficientes”, afirmou Luis Leão, que considera muito melhor fazer as coisas em rede. Estamos falando de uma rede em que objetos se auto identificam e compartilham recursos entre si sem a intervenção humana.

Caio Vassão, que acertadamente mudou seu status de arquiteto de formação para arquiteto de in-formação e vem ao longo dos anos pesquisando a computação ubíqua e como ela impacta no ambiente humano, se preocupa com a ideia de usar protocolo IP até para objetos não mecânicos, como por exemplo, padrões para endereçar uma simples chave.

O arquiteto lembra que a onda D2D (dispositivo para dispositivo) deve ter em si uma abordagem de design centrado no usuário e alerta para o fato de casas inteligentes – como a que descrevo no começo artigo -, ou qualquer outro sistema instruído por hábitos (isto vale para as bolhas de filtragem do Google) tomarem decisões a partir de instruções erradas.

O que ele quer dizer é: “pare este avião!” (bowl shit!), falando sério: inteligência programada por hábitos que podem ser mal interpretados e que podem resultar numa escolha inadequada, interferindo no nosso relacionamento com pessoas, lugares e coisas, gerando um impacto negativo.

O impacto na sociedade e no comportamento dos indivíduos

Caio reverencia a memória de Mark Weiser, cientista morto em 1999 que usou o termo “Internet das Coisas” pela primeira vez em 1988 e o publicou em 1991 no seu artigo The Computer for the 21st Century (O computador para o século 21). Oito anos depois, em 1999, Kevin Ashton (leia-se “MIT”) propôs o termo, mas só dez anos depois escreveu “A Coisa da Internet das Coisas” para o RFID Journal, aliás, fato muitíssimo bem lembrado também por Leão.

Aqui eu quero trazer o terceiro participante (ele não estava esquecido, não), o Felipe Ratti. Ele confessa: – “Hoje eu penso em segurança. Até me envolver em um acidente (automobilístico) grave eu pensava em hardware, hoje penso no intangível”.

Ele aprendeu com sua dramática experiência que na crise a tecnologia depende de uma interação nossa. No momento seguinte ao acidente estava desnorteado e a primeira dificuldade que enfrentou foi a de usar o celular: “ele tem centenas de funcionalidades, mas com as mãos trêmulas e sem enxergar direito, você não consegue usar”.

Não consegue sequer raciocinar; e mesmo depois de fazer a ligação de emergência, precisa aguardar o atendimento, relatar um fato e aguardar, aguardar… até chegar a um pronto-socorro e ter de lidar com alguém que vai te obrigar a assinar uma ficha ferido, veja só!

Felipe é categórico:  “há muito protocolo, muito sistema de comunicação, mas cada fabricante faz o seu”, referindo-se, por exemplo, ao fato de as montadoras de automóveis não disponibilizarem os mapas de localização dos air-bags em seus modelos – por conta disto, durante uma atividade na qual um bombeiro trabalha para salvar uma vítima, o dispositivo pode ser acionado e levá-la à morte. E completa: “existem muitos passos antes: precisamos pensar no comportamento das pessoas para depois irmos adiante. Pensar odesign do design“.

E reforça a problemática dos wearables: “até que ponto vou estar protegido em função dos meus gostos?”

Bingo! Estamos falando de Computação Ubíqua + Comportamento Humano + Interações + Vícios do Sistema… E agora, José? Será que nesta relação que partiu de um computador para muitos homens (mainframe), evoluiu para uma relação homem x computador (com os PCs) e agora se espraia como homem x computador em todas as coisas, vamos mesmo emburrecer e deixar de ter experiências novas, como teme Felipe, ao aceitar deixar que as máquinas decidam por nós voluntária ou involuntariamente?

Não seria, talvez, o caso de dar uma acalmada na tecnologia (Calm Technology) e nos reservar o direito de entregar apenas informações úteis ou essenciais (de volta ao conceito de infoessência) dentro de um determinado contexto, no lugar entregar todos os dados como pagamento pelo uso das tecnologias?

A esta altura da conversa eu já estava em cólicas para perguntar (já que me propus a voltar a escrever sobre tecnologia e mais aprofundadamente pesquisar as de impacto social): “como podemos criar coeficientes de adversidade pensando em cidades futuras e resilientes?”, sim porque penso que se por um lado “o futuro é construído por nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis […]”, como anteviu Alvin Toffler, por outro, a crise hídrica pela qual passamos no momento em que este artigo foi escrito, sinaliza uma espécie de efeito dominó: sem água ficamos sem alimento e sem alimento, sem saúde, mas também sem hospitais em franco atendimento; pior: sem energia e sem mobilidade para chegar a tê-lo. Colapso, caos,Armageddon, qualquer que seja o nome criado para esta coisa, ela avançará como umtsunami na direção de nossas cidades, se não fizermos “para ontem” o dever de casa.
A Responsabilidade Social dos Designers de Interação
Caio puxa o ar e olha para o alto antes de responder minha pergunta, certamente escanerizando o seu HD. Para ele a conectividade (assim como a privacidade em era de BIG DATA) representa o grande desafio na hora de criar modelos de redes distribuídas pelas cidades.

Em seguida ele fala de cidades compactas projetadas a partir de comunidades em escalas menores, que vem surgindo com funcionalidades bem delineadas, com arcos históricos mais amplos e debaixo do mais puro conceito de sustentabilidade: economicamente viáveis, culturalmente aceitas e politicamente corretas.

A resposta, pelo que entendi, pode estar na criação de ecossistemas de efeito borboleta, ou seja, projetar e testar em pequenas escalas, para ver qual o impacto na grande escala – oque em muito me faz lembrar o projeto de construção da Tecnovila Estrela, na região de Glicério, Macaé (RJ), no qual fui convidada a integrar como condômina responsável pela Gestão Estratégica da Informação e provimento de conteúdos (que saudade!).

Nesta mesma direção, a Companhia Elétrica de Minas Gerais – Cemig, está implementando na região de Sete Lagoas o Projeto Cidades do Futuro, por meio do qual pretende aplicar todas as tendências da cadeia de valor das redes inteligentes de energia em suas instalações elétricas.

Na opinião de Caio, este é o momento exato para se discutir a computação como uma das camadas da estrutura urbana (como água, energia, saneamento básico) e além: para discutir os Direitos Humanos, diante da nova onda.

“Tradicionalmente o Design de Interação era visto como um produto empresarial e está na hora de se enxergar como ‘responsabilidade civil'”, disse Caio, que nos contou que há um movimento global de governança, mas sabe-se que em geral quem entende disto, não entende lhufas de tecnologia.

Na plateia, mãos espalmadas acenavam “vontade política”, “políticas públicas versus lobby”, “pirâmide das necessidades versus direitos constituídos” e a constituir como “o direito de não fornecer dados pessoais em troca de produtos ou serviços”, entre outras inquietações aplacadas por um misto de resposta e devolutiva crítica:

“Se eu puder deixar uma mensagem para hoje, digo que pessoas como vocês tem mais responsabilidade social do que imaginam, pois entre os ‘urbanistas tradicionais’ e os ‘urbanistas do futuro’  está o design de interação.

Mais do que um hostess muito integrador e um mediador com sacadas bem-humoradas e inteligentes, Robson Santos neste ponto da discussão aborda o papel social do designer com toda proficiência que os títulos acadêmicos lhe conferem: “ele tem ocupado um espaço maior, ascendendo a posições estratégicas. Nosso papel (no qual se inclui) é fortalecer o estado-das-coisas” e conclui: “acreditamos que a humanidade tem sido prejudicada pela má qualidade das interações”.
Ele ainda trouxe à tona a questão da impredictabilidade humana: “por mais que as máquinas tentem mapear as intenções humanas… bem, até que ponto o Deep Blue se divertiu?”, referindo-se à antológica partida contra o campeão enxadrista Garry Kasparov em 1996.

Robson define “designer” como projetista, ou seja, qualquer pessoa envolvida no desenvolvimento de um projeto. Okay, donde concluo que somos todos designers! Para encerrar o evento, ele pediu a cada convidado que dissesse algo que viesse à cabeça, como ponto para reflexão.

Caio disse não ver incompatibilidade entre viabilização financeira e responsabilidade social, quando pensa na distribuição de internet como um bem público como água e luz. E ainda reforça: “água não dá lucro e internet dá!”.

Luiz acredita que devemos pensar localmente para agir globalmente, reforçando a ideia de batemos as asas aqui e geramos um furacão no outro lado do planeta.

Já Felipe propõe uma reflexão sobre a humanização – querer estar mais perto das pessoas – o que me faz lembrar que não à toa saltamos do high tech para o high touch

Lição fronética

Enquanto “designers” de nossos projetos de vida, precisamos entender o princípio hologramático que nos torna parte de tudo, rigorosamente tudo o que acontece. Então, precisamos praticar a Filosofia da Responsabilidade.

Devemos tomar emprestado da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (2006), o lema de Kofi Annan “Nada Sobre Nós Sem Nós”, exigindo nosso envolvimento na concepção das tecnologias – afinal somos seus usuários finais e principais patrocinadores!

Aprendi que nem mesmo resolvemos nossos problemas de comunicação e já lidamos com dispositivos que pretendem nos entender, interpretar e decidir o que pode ser ou não bom para nós. Então, periga de a gente passar a vida assistindo media push, com um copo de 600 ml de refrigerante e muito chips, quando podemos desenhar o futuro que queremos ter.

[1] Aristóteles define phronesis como sabedoria prática, uma das virtudes intelectuais, aquilo que faz com que o homem seja capaz de deliberar corretamente sobre o que é bom ou mau para si.

[2] Este artigo também foi publicado pelo iMasters no endereço http://imasters.com.br/design-ux/impacto-da-tecnologia-conectada-na-sociedade-e-no-comportamento-dos-individuos/